um dia, no entanto, um

pássaro morto debruçado

diante da porta, no mesmo

chão comum que pisamos.

todo aquele corpo caberia nas

palmas das mãos como hóstias 

ou como ostras.  

desfazer dessa matéria morta

como tentar se desfazer de um 

pensamento; pegar a sacola

mais próxima possível, que dentro

também carrega restos de comida, 

borras de café, embalagens de papel, e agora,

um pássaro morto e pensar

que poderia tê-lo enterrado

em qualquer outro canto, ter arremessado, 

esquecido, virado as costas, deixar 

decompor porém jamais colocá-lo

numa sacola, feito gente que

tem pressa, feito respiro

que não se pausa, mas engole.

Comentários

Postagens mais visitadas