memória

ela perderá a memória
aos oitenta e nove anos,
algumas evidências já se
costuravam nos dias uma
escova trocada as horas a
semana, certezas não mais,
a morada da dúvida que
faz tremer os olhos olheiras
até o derradeiro dia que
chamastes Francisca, a filha,
de Teresa, a
irmã.
*
manjericão era orégano, meus
pêsames e o espanto com a viuvez
repentina de quatorze anos da
vizinha. colocar vez ou outra um disco
numa vitrola que não roda. jamais esquecer,
toda manhã, em despejar água
comida de ontem nos vasilhames
para os quatro gatos e dois cães
que já não moram ali,
e contar essa história.

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