a casa das avós
Todas as casas de avós eram mal
assombradas, assim pensava quando
era criança. Algo residia por entre os tijolos
que desmanchava-se ao chão as
cascas de tintas e sobre a tinta de
tantas outras que ali habitaram aqueles
cômodos, assistindo todas as refeições,
observando corridas ao banheiro - o som da
televisão interrompido pelo silêncio abrupto
depois das oito da noite, paredes que engole
palavras. Todas as casas de avós eram
mal assombradas pois se ouvia pelas
madrugadas o som de pegadas no piso
quando não havia nenhum corpo acordado.
Nestas casas, se vêem nas janelas olhos
que come o azul lá de fora, e de repente
nestas mesmas casas poderá se ver uma
mulher nua em uma madrugada dentro
d'uma sala olhando a rua pela janela
e ao perguntar o que ela está fazendo ali, dirá:
- está tendo um pesadelo, ou melhor,
você está sonhando, a casa está assombrada, você
mora no delírio.
Comentários
Postar um comentário