do que se respira
em minha cadeira e você do outro lado
enquanto discutíamos sobre um poema de
Orides Fontela e por ora nossos dentes
sobressaiam em alguns momentos, de
repente o sangue trilhava um percurso
de suas narinas até os lábios, meus dedos
já cobriam sobre seu nariz intermediados
por um algodão. a poluição do ar aumentou
em 15% na cidade, chegaram duas multinacionais no último ano, o motoboy
do app de comida não sabe que horas
chegará em sua casa. de tuas narinas saíam
chegará em sua casa. de tuas narinas saíam
sangue. poder colocar meus dedos sobre
a fratura, tua face. o amor, tateia.
tateia, ainda que tudo sangre.
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